quarta-feira, 17 de agosto de 2011

SISTEMA COLONIAL: AMÉRICA ESPANHOLA E INGLESA



AMÉRICA ESPANHOLA

O continente americano foi sistematicamente colonizado pelos europeus a partir do final do século XV. Holandeses e Franceses também exerceram aqui o seu poder colonizador, mas foram portugueses, espanhóis e ingleses que montaram os mais significativos empreendimentos coloniais, tornando a América uma extensão de seus domínios e um complemento da economia metropolitana.

Em 1503 a Coroa espanhola criou o primeiro órgão de administração colonial, a Casa de Contratação, responsável por todas as atividades comerciais da colônia através da política de único porto: toda mercadoria americana deveria desembarcar, obrigatoriamente no porto de Cadiz.

No âmbito regional, o poder era exercido pelos Cabildos, órgão semelhante às Câmaras Municipais criadas pelos portugueses no Brasil, responsáveis pela justiça local e recolhimento de impostos. Na sede dos Vice-Reinos, encontrava-se a Audiência, tribunal colonial controlado pelos vice-reis e administrado pelos juízes nomeados pelo Rei.

Do ponto de vista político, a colônia espanhola estava dividida em 4 vice-reinos (Nova Espanha – principal centro colonial com grande aporte de metais, Nova Granada – região de apresamento de indígenas para trabalho das minas, Vice Reino do Peru, grande extração de prata, Potosí e Vice Reino do Rio da Prata – Extração de erva mate e agropecuária) e quatro capitanias gerais (Guatemala, Venezuela, Cuba e Chile).

O Pacto colonial, determinado pelo Exclusivo comercial foi a base que permitiu o funcionamento do sistema de exploração implantado nas colônias. Na América espanhola a base econômica foi a mineradora, motivo este pelo qual a coroa espanhola lançou-se avidamente à exploração do interior das suas colônias na busca de mais minas e regiões mineradoras. As reservas pareciam intermináveis, o que gerou uma desvalorização dos metais e um aumento considerável nos preços das mercadorias causando o fenômeno conhecido como Revolução dos Preços.

A partir da década de 1550 a Espanha assumiu a colonização efetiva, sistematizando a exploração através de duas instituições de exploração de mão-de-obra nativa: a mita (trabalho compulsório nas minas) e a encomienda (exploração das comunidades indígenas através da prestação de serviços nas grandes fazendas e tributação em gêneros).

Além do trabalho compulsório indígena, nas ilhas do Caribe, sobretudo em Cuba, no desenvolvimento da plantation açucareira, nota-se a existência de trabalho escravo de negros africanos, importados para suprir a falta de mão-de-obra disponível após o extermínio dos nativos.

A sociedade seguiu o modelo fechado, aristocrático e feudal da sua metrópole. No ápice da sociedade estavam os chapetones (espanhóis), responsáveis pela administração pública. Seguidos a estes estavam os criollos (filhos de espanhóis nascidos na América), formando a aristocracia rural e contando com forte poder econômico. As classes dominadas eram compostas pelos indígenas, escravos e mestiços, tendo a cor da pele como critério de divisão social.

A religião oficial era a católica, imposta aos nativos pelo clero a quem cabia a catequese e a educação escolar, além das atividades da Santa Inquisição, controlando os colonos.

AMÉRICA INGLESA

A partir do século XVII, a Costa Leste da América do Norte passou a ser povoada pelos ingleses puritanos e adeptos de outras religiões que fugiam da perseguição em regiões de conflito na Europa, iniciando assim o processo migratório para a América. O primeiro navio a aportar aqui, MayFlower chegou a costa em 1620 com o primeiro grupo de puritanos. Além dos colonos que vinham instalar-se em definitivo no novo mundo criando aqui colônias de povoamento, vieram também outros ingleses com o intuito de instalar empresas de exploração das riquezas coloniais.

A Inglaterra começou ainda a ocupação das Antilhas, ocupando Jamaica, Barbados, Bahamas e Bermudas, onde montou um sistema de administração centralizado, com a produção de artigos tropicais destinados ao mercado europeu.

Ao longo da Costa Leste americana, desenvolveram-se treze colônias das quais nove (centro e norte) destinaram-se ao povoamento e quatro (sul) à exploração. Tal divisão deveu-se basicamente a diversidade climática observada nestas regiões, onde somente coube ao Sul o clima necessário para o cultivo de culturas de exploração.

 Inicialmente, a colonização inglesa foi organizada por companhias de comércio ou por associações de comerciantes, na tentativa de obter lucros com o tráfico de escravos ou com a exploração das terras americanas. Na segunda metade do século XVII, o Estado passou a interferir na colonização promulgando inúmeras leis e medidas administrativas que tinham como objetivo transferir o controle das mãos das associações para a Coroa.

Uma aspiração presente em todos os colonos era a autonomia política, direito este que havia sido concedido aos colonos ingleses pelas companhias de comércio, podendo os mesmos reunir-se em assembléias e votar leis locais. Até meados do século XVII, predominou na colônia inglesa o self-government, ou seja eram os colonos que tomavam as decisões que valeriam em sua comunidade, inclusive leis.

Como os colonos que vieram a fim de estabelecer colônias de povoamento não tinham intenção em regressar para a metrópole, implantaram na América os meios para que pudessem estabelecer-se. Os que ocuparam a Nova Inglaterra (centro e norte), se organizavam conforme seus preceitos religiosos e não utilizavam mão-de-obra escrava e vigorou a agricultura de subsistência,com base no trabalho familiar.

Porém nas colônias do Sul desenvolveu-se colônias de exploração, fundamentadas nas teorias mercantilistas (produção em larga escala para mercado europeu) e no pacto colonial. Nesta região criou-se uma sociedade polarizada (elite branca e massa de trabalhadores escravos), baseada no cultivo principalmente do algodão e tabaco, sob uma forte fiscalização metropolitana.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A CONQUISTA DA AMÉRICA PELOS EUROPEUS



AMÉRICA ESPANHOLA

Enquanto os portugueses exploravam a costa africana, Cristóvão Colombo chegava à América em 1492, com o objetivo de chegar à China. O Novo mundo recém descoberto não causou grande interesse à coroa espanhola, que continuou buscando uma passagem pela o Pacífico (objetivo alcançado por Fernão de Magalhães), porém tal rota mostrou-se desvantajosa devido à distância a ser percorrida ser, em muito, maior do que a esperada.

A Conquista da América espanhola está diretamente ligada a dois nomes: Hernán Cortéz, conquistador do México e Francisco Pizarro, conquistador do Peru. A conquista e exploração da América inserem-se no contexto da expansão do Capitalismo comercial, no interesse da Igreja Católica em garantir sua presença no Novo Mundo e na necessidade dos países Ibéricos de encontrar novas áreas para explorar. Desses elementos resultaram a violência e o desprezo para com os culturas nativas.


A CHEGADA DOS PORTUGUESES AO BRASIL

Ao que tudo indica, a viagem de Cabral em 1500 tinha como objetivo alcançar o Brasil, porém propagou-se a narração de que tal descoberta fora ao acaso, devido às calmarias. Na primeira carta escrita ao rei de Portugal, demonstra-se por Pero Vaz de Caminha, uma certa decepção pela não ocorrência, pelo menos no litoral, de metais preciosos.

Aqui não havia nenhuma população organizada que pudesse ser explorada através da cobrança de tributos e de obediência à Coroa, a exemplo do que ocorria na América Espanhola (astecas, maias e incas). Sendo assim não havia como desviar, pelo menos naquele momento, o interesse português do Império do Oriente, cabendo ao Brasil a função de ser um entreposto de reparo e abastecimento de navios portugueses em direção às Índias.

O SENTIDO DA COLONIZAÇÃO

- PARA OS EUROPEUS

O projeto de expansão marítima foi realizado pela parceria Rei-Burguesia, interessados desde o início em expandir o poder que já tinham. A Igreja católica por sua vez buscava ampliar sua área de influência (política, cultural e econômica). Sendo assim, para as elites européias, a expansão geográfica refletia a expansão de seus respectivos poderes.

Já para as camadas médias e pobres da população, a expansão colonial foi vista como uma oportunidade de enriquecimento fácil através da exploração das áreas colonizadas.

- PARA OS ÍNDIOS

Quando os europeus chegaram a este continente, aqui encontraram grandes nações que viviam em diferentes sistemas sociais.  No Brasil, predominava a organização tribal, porém na América espanhola encontravam-se grandes impérios (incas e astecas).

Deste contato, resultou um aniquilamento desses povos, resultantes de guerras, escravidão, doenças trazidas pelos europeus (sarampo, gripe, varíola) para as quais os índios não tinham anticorpos, a fome, a excessiva exploração do trabalho e a destruição cultural.

Apesar dos primeiros contatos, ao que tudo indica, terem sido pacíficos, a situação tornou-se diferente a partir do momento em que os europeus passaram a utilizar a força para subjulgar e submeter os índios à sua vontade.

Somente em algumas colônias inglesas estabeleceram-se colônias de povoamento, mas ainda assim observou-se a eliminação física dos nativos e sua destruição cultural.

INÍCIO DA EXPANSÃO ULTRAMARINA PORTUGUESA



Impregnados pelo “espírito cruzadista”, adquirido na luta de reconquista contra os mouros, o primeiro passo da expansão ultramarina portuguesa foi a conquista de Ceuta em 1415. Esta cidade era um importante entreposto comercial muçulmano, situado ao norte da África (Marrocos), onde chegavam ouro, escravos e marfim vindos da África negra.

Desde o século VIII, Ceuta estava sobre o domínio árabe, porém no século XV passou a ser usada como base de ataques a navios cristãos no Mediterrâneo. A burguesia estava interessada na exploração marítima e comercial da costa africana, ao passo que a nobreza, guiada pelo espírito cruzadista, pretendia tanto a difusão do cristianismo quanto a aquisição de novas terras.

Além da busca de um caminho para as Índias, os portugueses interessavam-se muitíssimo no ouro vindo do Sudão e de outros produtos, cujas rotas haviam sido desviadas pelos comerciantes locais após a tomada de Ceuta. Além do ouro, outro produto de grande valor era o escravo.

De início, os principais fornecedores de escravos eram os nômades do deserto e, posteriormente, as aldeias negras da região do Senegal. Porém, os portugueses passaram a observar ser mais vantajoso obter escravos por meio de transações pacíficas com os chefes tribais, que entregavam criminosos condenados, prisioneiros de guerras em troca de contas de vidros, facas e tecidos de lã. Inúmeras foram as feitorias portuguesas estabelecidas ao longo da costa africana.

Com a descoberta do caminho para as Índias, Portugal passou a dominar o comércio de especiarias (pimenta, cravo, canela), com sua rede de feitorias, dominou o comércio de ouro por cem anos (1450-1550) e estava preparado para  ser o primeiro grande traficante de escravos quando, em 1500, chegou ao Brasil.

A REAÇÃO DA NOBREZA

No período entre a conquista de Ceuta e a chegada em Calicute, Portugal conheceu um intenso desenvolvimento comercial, porém isto gerou problemas na ordem aristocrática, uma vez que o comércio permitia "fazer iguais os desiguais", tornando possível aos membros da plebe equiparar-se em riqueza aos nobres pela atividade comercial.

Ao longo de toda a Idade Média, os judeus eram numerosos e desfrutavam de relativa tranquilidade em Portugal, por viverem diretamente sobre proteção real (ao custo de altíssimos e numerosos tributos), apesar de ser constante a ameaça de confisco de bens por intolerância racial ou religiosa.

Os judeus eram, em geral, comerciantes, ourives, cirurgiões, sapateiros, mas destacavam-se sobretudo nas áreas comerciais e bancárias, e com o advento da expansão marítima tais atividades vivenciaram um ambiente muito favorável para seu desenvolvimento, tornando a elite econômica judaica notória.

Em 1492, os judeus foram expulsos da Espanha, migrando para Portugal em busca de melhores condições, porém em 1497 o rei português D. Manuel exigiu a conversão de todos ao catolicismo, passando os mesmos a serem chamados "cristãos-novos". O ataque aos cristãos-novos pode ser entendido como uma reação anti-burguesa na medida em que, o principal núcleo da burguesia era composta de judeus. Quando perseguidos e condenados pela Inquisição, além da pena capital, os burgueses perdiam também seus bens para a Igreja Católica através do confisco.

Tal perseguição fez com que muitos cristãos novos deslocassem suas atividades para além-mar ou migrassem para outros países, como a Holanda, onde pudessem viver em paz. Impedidos de imobilizarem seus capitais em investimentos imobiliários, expulsos da agricultura em consequência, seus capitais ganhavam mobilidade no comércio e nas finanças, de forma que o enriquecimento lhes foi natural além de representar uma forma de defesa.

ABSOLUTISMO


Na Europa, a partir do século XI – Baixa Idade Média – o poder político descentralizado, característico do sistema feudal começou a viver um longo processo de centralização com a formação das monarquias nacionais, o que resultou no Absolutismo na Idade Moderna.
O Absolutismo é uma forma de governo autoritário. A pessoa ou grupo que detém o poder exerce todas as funções do Estado: faz as leis, trata da sua execução, julga as atitudes de toda a sociedade. Os abusos de poder são a regra geral e muitas vezes o governante coloca-se acima da lei.

Dentre os déspotas históricos podemos citar: a teocracia egípcia, o militarismo dos césares romanos, o Absolutismo da Época Moderna ou as ditaduras fascistas do século XX. Em todos os casos, os déspotas nunca estavam sozinhos pois sempre existiu um grupo social que lhes dá apoio por ter interesse em seu poder.
As monarquias absolutistas da Idade Moderna eram subvencionadas pela burguesia mercantil. O rei necessitava da contribuição financeira dos burgueses e estes se interessavam pelo apoio político que recebiam, consolidando o Mercantilismo.

O Absolutismo parece ser a expressão política do Mercantilismo, onde havia a necessidade de criar leis protecionistas, conquistas colônias e promover o metalismo. A aliança entre rei e burguesia gerou riqueza para ambos os aliados.

Diversos pensadores naquela época trataram do tema, dentre os quais citamos:

- Maquiavel: O primeiro dentre os pensadores, Maquiavel publicou no começo do século XVI “O Príncipesobre as artes de conquistar e manter o poder. Em 1513, tal livro passou a ser entendido como um manual que ensinava o exercício do poder. “Para governar é preciso ter sutileza, astúcia, uma certa dose de crueldade e, sobretudo, um exército bem armado”. Em seu texto, insinua-se que o poder é amparado pela vontade divina, sendo os príncipes inspirados pelo “grande preceptor”: Deus.

- Jacques Bossuet: Se Maquiavel somente insinuou a ligação entre poder político dos reis e a vontade divina, Jacques defendeu veemente esta teoria. Em sua obra “Política tirada da Sagrada Escritura afirma que “O trono real não é o trono de um homem,mas o trono do próprio Deus. (...) Os reis são deuses (...) O rei vê de mais longe e de mais alto; deve-se acreditar que ele vê melhor, e deve obedecer-se-lhe sem murmurar”.

Pela Teoria do Direito Divino, questionar as atitudes do rei ou colocar-se contra as decisões do Estado era revoltar-se contra Deus.

Thomas Hobbes e Hugo Grotius, outros defensores do Absolutismo, utilizavam outra justificativa: A presença de um governante absoluto era necessária para a manutenção da ordem do reino que, sem essa autoridade que se sobrepunha a vontade de todos, os homens viveriam em estado de guerra. Sendo assim, o monarca absolutista era o guardião da civilização. Essa foi a justificativa também das ditaduras militares do século XX.

O ABSOLUTISMO PORTUGUÊS.

A independência de Portugal deu-se pelo incentivo da classe burguesa, o que desde o princípio aproximou-a do poder real, fazendo brotar a aliança entre rei e burguesia, característica do Absolutismo. O Estado português já nasceu ligado aos interesses mercantilistas, correspondendo ao gradativo afastamento da fidalguia do centro do poder para abrir espaço para a burguesia. Porém somente no reinado de João II, no final do século XV que o Estado de fato adquiriu o caráter absolutista, mandando prender, perseguir e matar todos que lhe faziam oposição.

O ABSOLUTISMO ESPANHOL.

A monarquia espanhola também nasceu da guerra de Reconquista.  Com Carlos V (neto de Fernando e Isabel) que governou a Espanha entre 1516 e 1556, os castelhanos conquistaram um enorme império colonial e tornaram-se a maior potência do século XVI. Com o ouro e prata extraído de suas colônias na América, os espanhóis puderam montar um império tão vasto que se dizia que nele “o Sol nunca se punha”.
O governo absolutista espanhol, fortemente amparado pela Igreja Católica, buscava a hegemonia no comércio internacional e na disputa por áreas coloniais. Por causa dessas disputas, a Espanha envolveu-se em muitas guerras, sobretudo com a França.  Em 1580, sob o reinado de Felipe II, houve a União Ibérica, unificando o poder peninsular. Estimulado com a oportunidade de ampliar ainda mais seu poder, Felipe II preparou-se para uma guerra com a Inglaterra, organizando uma força naval a quem denominou INVENCÏVEL ARMADA, porém esta em 1588 desorganizou-se e foi vencida por piratas e marinheiros ingleses, marcando o início da decadência do Império Espanhol.

O ABSOLUTISMO INGLÊS

O Absolutismo inglês nasceu sob o reinado da dinastia Tudor, no século XVI e teve seu apogeu nos reinados de Henrique VIII e de sua filha Isabel (ou Elisabeth) I. O Parlamento inglês foi um grande incentivador da centralização do poder, uma vez que grande parte do parlamento era composta por burgueses.
O absolutismo foi encarado pelos ingleses como um elemento fundamental e necessário para a consolidação do mercantilismo, de modo a destruir definitivamente os resquícios do feudalismo. Ainda sobre a lógica do mercantilismo, que exigia o protecionismo da economia e das riquezas nacionais, o Estado absolutista inglês, com o apoio do Parlamento, rompeu com o papado e a Igreja Católica.
A criação do Anglicanismo esteve profundamente ligada aos interesses nacionais: O Parlamento apoiara Henrique VIII e Elizabeth na sua luta vitoriosa contra a Igreja Católica internacional.O dinheiro não ia mais da Inglaterra para Roma, a política britânica deixara de ser imposta pelos interesses de um poder estrangeiro.
Elisabeth I estimulou a pirataria no Atlântico, com o objetivo de roubar os navios que iam para a Europa carregados de produtos coloniais, principalmente ouro e prata. Também nesta atitude, o Parlamento lhe foi favorável.

O ABSOLUTISMO FRANCÊS

Durante o século XVI, sob a dinastia de Valois, a França ensaiou a consolidação do governo absolutista, mas os conflitos internos, tanto políticos quanto religiosos, fizeram oscilar a centralização do poder.
Grande parte da burguesia havia tornado-se calvinista, enquanto que o Estado era fortemente influenciado pelo catolicismo, comprometendo a fundamental aliança que deveria haver entre eles.
Após o massacre dos huguenotes (calvinistas) impetrado por Catarina de Médicis em 1572, e que colocou em risco o trono francês, seu filho Henrique III aliou-se a Henrique de Boubon, líder dos huguenotes e lhe nomeou seu herdeiro político. Sendo assim, em 1589, Henrique de Boubon assumiu o trono, como Henrique IV.
O novo rei fortaleceu o absolutismo e acabou com as disputas religiosas com a assinatura do Edito de Nantes (concedia liberdade religiosa e direito de culto aos protestantes) e implantou uma política mercantilista. Seu sucessor, Luis XIII, ampliou seu poder absoluto, e lançou a França na disputa pelo comércio internacional e pela posse de colônias.
O apogeu do absolutismo francês se deu no reinado de Luis XIV, o Rei Sol (1643-1715). Ganhou esta denominação  devido às grandes realizações de seu governo. Ficou famoso pela frase “O Estado sou Eu”. Luis XIV teve total apoio da burguesia uma vez que as realizações no campo econômico satisfazíamos interesses capitalistas dos burgueses, porém seus sucessores perderam tal importante apoio que, insuflando as massas populares, desencadearam a Revolução Francesa em 1789.


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

MERCANTILISMO E EXPANSÃO MARÍTIMA



Mercantilismo deve ser entendido como o conjunto de teorias e práticas de intervenção econômica surgidas na Europa a partir do século XV. Envolvia concepções precisas acerca da produção manufatureira, da utilização da terra e, sobretudo, do poder do Estado. A intervenção do Estado deveria garantir o equilíbrio indispensável da balança comercial.
Dentre suas características podemos citar: BULIONISMO (nível de riqueza de um país identifica-se com o montante de metal amoedável entesourado), BALANÇA COMERCIAL FAVORÁVEL, PROTECIONISMO ALFANDEGÁRIO, DEFESA DA PRODUÇÃO NACIONAL, DESENVOLVIMENTO NACIONAL e INCENTIVO AO CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO (a fim de formar um mercado de mão de obra grande o suficiente para baixar o custo do trabalho).
A prosperidade oriunda do comércio permitiu ao rei através do recolhimento de impostos, a manutenção das novas necessidades surgidas com a centralização do poder, dentre as quais os exércitos nacionais a serviço do rei e da defesa do Estado Nacional. A burgueessia, por sua vez, recebia proteção militar e política para avançar com o seu projeto econômico.

A expansão marítima levou mercadores a percorrer todo o planeta. Preocupada em desenvolver o comércio, buscando novas áreas para explorar e produtos para comercializar, a burguesia européia cruzou os mares.
A realização de tal aventura somente foi possível graças a criação do Estado nacional e à aliança entre rei e burguesia. A centralização política promovida pelo Estado Nacional permitia ao rei concentrar toda a máquina do Estado na criação de condições para o desenvolvimento tecnológico e para a preparação de técnicos e navegadores para concretizar a tarefa. O custo, entretanto, foi financiado pela burguesia.
As  cruzadas colocaram o Ocidente novamente em contato com o Oriente, criando o  gosto pelos produtos exóticos orientais no mercado europeu. Tal pressão pode ser rapidamente aproveitada pelos mercadores das cidades italianas, principalmente Gênova e Veneza.
Os mercadores de outros países buscaram quebrar tal monopólio, fator este que impulsionou as viagens marítimas, bem como o grande interesse em encontrar metais amoedáveis.
Antes de Bartolomeu Dias cruzar o Cabo da Boa Esperança, a posição geográfica das cidades italianas e ao sul da Alemanha proporcionava a estas grandes vantagens no domínio das rotas de comércio na Europa. A partir da descoberta de novos caminhos para a Índia, foram os países com costa voltada para o Atlântico que adquiram vantagem, tornando este oceano a área de comércio mais importante do mundo.
Após completar o ciclo oriental das navegações, atingindo as Índias, Portugal estabeleceu um império comercial no Oriente, rompendo com os bloqueios marítimos do Mediterrâneo imposto pelos turcos otomanos em 1453, quando estes tomaram a cidade de Constantinopla. Também rompeu-se o monopólio dos italianos no comércio das especiarias do Oriente (pimenta-do-reino, noz moscada, cravo,  canela).

Das idéias mercantilistas e da expansão marítima surgiu a valorização do SISTEMA COLONIAL.  Os governantes atribuíram maior importância a posse de colônias. Estas se tornaram um bem econômico disputadíssimo, pois funcionavam como importante retaguarda econômica da metrópole.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

AMÉRICA PRE-COLOMBIANA



OS MAIAS
Segundo a opinião de especialistas, a civilização maia foi a mais requintada das civilizações pré-colombianas. Sua área correspondia a toda a Península de Yucatán, prolongando-se para o Sul até atingir o Oceano Pacífico, em regiões que hoje correspondem ao sul do México e Guatemala.
Sua civilização caracterizou-se pela formação de cidades-estados, independentes entre si, desenvolvidos a partir de centros cerimoniais, assemelhando-se às cidades-estados gregas. Suas cidades mais importantes eram Palenque, Tikal e Copán.
A cidade-estado maia era a base de sua civilização, e em cada uma delas existia uma autoridade suprema exercida pelo Halac-Unic, um rei com características divinas. O governo era exercido pelo monarca e vários auxiliares. A monarquia era hereditária e tinha forte conotação religiosa.
A base da economia maia era a agricultura, desenvolvida através de técnicas rudimentares e tendo o milho como a principal cultura. A parcela mais numerosa da população constituía-se de trabalhadores agrícolas, e quando a mão de obra ficava disponível, era utilizada na construção de obras públicas, templos, etc.
Dentre as realizações culturais pode-se citar o uso de um sistema vigesimal e foram um dos dois únicos povos a conhecer o uso do zero. Construíram um calendário altamente preciso, graças ao amplo conhecimento de astronomia e adotaram a escrita hieroglífica.

OS INCAS

Os incas formaram um vasto império que ocupava a região que hoje corresponde à Bolívia, Peru, Equador, parte do Chile chegando até a Argentina, sendo o mais extenso império pré-colombiano.
No início de sua civilização, organizavam-se em tribos que formavam uma confederação no Vale do Cuzco, porém as disputas com os vizinhos levaram a fase expansionista do império.
A fim de manter domínio sobre os povos conquistados, os incas desenvolveram um eficiente sistema de comunicação, que consistia na construção de uma rede de estradas e na manutenção de postos de informações que eram percorridos por vários mensageiros.
A exploração das províncias (ayllus) era feita através do trabalho familiar. Em troca de um lote de terras para cultivo, a família era obrigada a trabalhar nas terras do Kuraka que era o chefe local, bem como também estavam sujeitos a corvéia ou mita ao Inca (imperador), que poderia ser cobrada nos mais diversos serviços: construção de estradas, edifícios públicos, serviços militares ou tarefas agropastoris.
Quando morria o Inca, a sucessão imperial era disputada pelos nobres que lutavam entre si.
O sistema de pagamento de impostos retirava dos trabalhadores uma parcela excessiva de alimentos que deveriam ser para o seu sustento próprio. Aliada à esta exploração, a dominação política exercida pelo Inca e por seus exércitos provocava freqüentes rebeliões nos povos dominados. A repressão de tais rebeliões, entretanto era imediata, incluindo como forma de castigo, a remoção das comunidades para outros locais no império.

OS ASTECAS

Os astecas criaram uma civilização com fortes traços urbanos. A capital, Tenochtitlán, possuía uma vida urbana muito movimentada, um ativo centro de comércio, inúmeras construções que abrigavam a administração pública e vários templos e pirâmides, dedicados aos inúmeros deuses cultuados.
Sua extensão ia da atual Guatemala até o México e do Oceano Pacífico até o Golfo do México.
O controle das regiões dominadas era feito através de uma poderosa força militar que garantia a submissão dos povos conquistados e o pagamento de impostos ao imperador asteca. Logo, os governantes acumularam grandes tesouros, que aumentaram a cobiça dos espanhóis.
O governo era exercido por um monarca (Tlatoani), eleito pelos membros das camadas dominantes (militares, altos funcionários da administração pública e sacerdotes). Após a eleição o rei tinha seu poder sancionado pelos sacerdotes, conferindo a este um caráter divino.
A população pobre era formada principalmente pelos trabalhadores agrícolas que tinham o direito de explorar um lote de terra com o compromisso de pagar tributos ao Estado. As crianças tinham escola e havia a possibilidade de ascensão social para os que quisessem entrar para o exército ou para o clero.
Os astecas desenvolveram um sistema de cultivo em plataformas, denominadas chinampas, bem como utilizavam diques e canais para controlar as águas. Praticavam a escravidão, porém esta era de caráter temporário (na maioria das vezes), atingindo os prisioneiros de guerra ou os endividados até que se pagasse a dívida. Os filhos dos escravos eram livres.
A intensa atividade urbana foi responsável pela constituição de uma camada média na população formada por comerciantes, artesãos e funcionários públicos.
A mitologia asteca previa o retorno dos deuses à Terra, justificando a sua ausência de luta a princípio contra os espanhóis, confundidos com divindades. Para os astecas era iminente a destruição do mundo, portanto para aplacar a ira divina seriam necessários sacrifícios humanos constantes, sendo a guerra o principal meio para obter vítimas para tais sacrifícios aos deuses. Assim a religião e a guerra estavam intimamente ligadas. Entretanto, a guerra trazia outras conseqüências, como a anexação de novos territórios e pagamentos de tributos dos povos vencidos.
O tlatoani cobrava impostos e requisitava trabalhos gratuitos, porém era também obrigado a distribuir presentes entre os súditos em determinada época do ano, ou seja, devolvia a estes parte do que arrecadava, bem como os socorria em caso de calamidade.

POVOS AFRICANOS PRÉ-COLONIZAÇÃO



O continente africano era dividido basicamente em duas áreas principais: Uma compreendia a região desértica onde vivia uma população de pele clara, chamados de LÍBIOS pelos antigos gregos. Ao sul das regiões desérticas, situa-se a “África negra”, onde viviam os povos chamados de ETÍOPES (rostos queimados).
Com a invasão dos povos árabes ao continente, os líbios foram designados de Barbar ou Berberes, em português. Entre os berberes haviam agricultores sedentários que viviam nos oásis e pastores nômades. Os antigos romanos chamavam tais povos de Mauru que originou a designação Mouros que passou a ser utilizada como sinônimo de muçulmanos. No ínicio do século XVI, os portugueses diziam que os berberes eram “mouros lavradores”.
Na região subsaariana estende-se uma faixa de território semi-árido chamada de SAHEL. Ao Sul do Sahel dominam as savanas e logo depois as florestas tropicais e subtropicais. À região Subsaariana denominou-se “Terra de Negros”, dividindo-se em Sudão a região das savanas e Guiné à das florestas.
Os Bantos viviam ao Sul da Guiné, porém o termo banto refere-se a uma língua que originou diversas outras, ou seja, uma unidade cultural e não racial, correspondendo a grupos humanos fisicamente muito diversos.
Os negros ocuparam toda a região subsaariana, enquanto o norte permaneceu ocupado pelos berberes, de pele clara. A partir do século VII, os árabes beduínos invadiram o norte da África, onde converteram a maioria dos berberes ao Islamismo. O domínio árabe intensificou as ligações comerciais entre o norte e o Sudão. O sal, o ouro e os escravos eram os principais artigos desde comércio.
O Sal era um produto de primeira necessidade no Sudão e extraído das salinas existentes do deserto do Saara, das quais a principal era a Salina de Tegaza. Caravanas de mercadores carregavam o sal em forma de barras para o Sudão trocando-o por ouro, cereais e escravos. Marrakesh, Fez, Ceuta, Tânger e Tunis eram os pontos terminais das rotas transaarianas, freqüentados por judeus e genoveses, entre outros.
A escravidão na África já era conhecida há tempos remotos, porém tratava-se de escravidão doméstica, para serviços caseiros e de pequena escala. Com a chegada dos árabes é que se introduziu a procura maciça de escravos, sendo os sudaneses os favoritos.