terça-feira, 9 de agosto de 2011

POVOS AFRICANOS PRÉ-COLONIZAÇÃO



O continente africano era dividido basicamente em duas áreas principais: Uma compreendia a região desértica onde vivia uma população de pele clara, chamados de LÍBIOS pelos antigos gregos. Ao sul das regiões desérticas, situa-se a “África negra”, onde viviam os povos chamados de ETÍOPES (rostos queimados).
Com a invasão dos povos árabes ao continente, os líbios foram designados de Barbar ou Berberes, em português. Entre os berberes haviam agricultores sedentários que viviam nos oásis e pastores nômades. Os antigos romanos chamavam tais povos de Mauru que originou a designação Mouros que passou a ser utilizada como sinônimo de muçulmanos. No ínicio do século XVI, os portugueses diziam que os berberes eram “mouros lavradores”.
Na região subsaariana estende-se uma faixa de território semi-árido chamada de SAHEL. Ao Sul do Sahel dominam as savanas e logo depois as florestas tropicais e subtropicais. À região Subsaariana denominou-se “Terra de Negros”, dividindo-se em Sudão a região das savanas e Guiné à das florestas.
Os Bantos viviam ao Sul da Guiné, porém o termo banto refere-se a uma língua que originou diversas outras, ou seja, uma unidade cultural e não racial, correspondendo a grupos humanos fisicamente muito diversos.
Os negros ocuparam toda a região subsaariana, enquanto o norte permaneceu ocupado pelos berberes, de pele clara. A partir do século VII, os árabes beduínos invadiram o norte da África, onde converteram a maioria dos berberes ao Islamismo. O domínio árabe intensificou as ligações comerciais entre o norte e o Sudão. O sal, o ouro e os escravos eram os principais artigos desde comércio.
O Sal era um produto de primeira necessidade no Sudão e extraído das salinas existentes do deserto do Saara, das quais a principal era a Salina de Tegaza. Caravanas de mercadores carregavam o sal em forma de barras para o Sudão trocando-o por ouro, cereais e escravos. Marrakesh, Fez, Ceuta, Tânger e Tunis eram os pontos terminais das rotas transaarianas, freqüentados por judeus e genoveses, entre outros.
A escravidão na África já era conhecida há tempos remotos, porém tratava-se de escravidão doméstica, para serviços caseiros e de pequena escala. Com a chegada dos árabes é que se introduziu a procura maciça de escravos, sendo os sudaneses os favoritos.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

CONTRA REFORMA


Diante da crise que se abatia sobre a Igreja Católica, o Papa Paulo III convocou um grupo de estudiosos criando um documento publicado em 1538 com duras auto-críticas à Igreja, principalmente sobre o caráter materialista assumido.
O processo de reação da Igreja passou a ser liderado pela Companhia de Jesus , ordem religiosa que tinha forte apelo à obediência hierárquica e à conduta moral rígida, visando a reestruturação do comportamento dos clérigos. Nas Américas, os jesuítas agiam em duas frentes: educação das crianças de origem européia e na catequese indígena, como forma de expandir a fé católica.

Concílio de Trento

Na tentativa de modificar a Igreja e manter a unidade da fé, o Papa João III e o alto clero, através de assembléias, decidiram pela:
- Proibição da venda de Indulgências e de cargos.
- Aprimoração da formação dos padres obrigatoriamente pelos seminários.
- Catequese para educar os cristãos na fé católica.

E reafirmados os seguintes pontos:
- Salvação pela fé e pelas boas obras
- Celibato clerical
- Confirmação dos dogmas e rituais católicos

Sendo assim, não houve mudanças na filosofia da igreja, mas os abusos e a corrupção do clero foram reprimidos e reinstaurado o Tribunal do Santo Ofício ou da Inquisição, a fim de suprimir a expansão das doutrinas heréticas.

Além da perseguição, a Inquisição exerceu severa censura sobre as obras publicadas e em circulação pela Europa. Para tanto foi criado o Index, uma lista de livros proibidos aos fiéis por conter "assuntos perniciosos à fé católica".


Consequências da Reforma e Contra-Reforma

- O século XVI europeu foi marcado pela intolerância religiosa das guerras santas e da perseguição da Inquisição. Surgiu mais uma divisão do Cristianismo: os protestantes, além dos católicos e ortodoxos já existentes.
- A Igreja Católica perdeu espaço na Europa, porém continuou difundindo-se nas Américas, atuando na conversào de indígenas e na educação dos ''filhos dos brancos".
- O gradual enfraquecimento do Papa contribuiu para o fortalecimento dos Estados Nacionais e de seus monarcas.
- Com o calvinismo, a burguesia passou a encontrar uma justificativa religiosa para o lucro.
- As práticas do Concílio de Trento somente foram revistas em 1962, pelo Papa João XXIII que estabeleceu a liberdade de culto e o ecumenismo.

REFORMA PROTESTANTE


A Reforma Protestante não foi apenas um movimento religioso, mas também teve importantes elementos políticos, econômicos e sociais, e pode ser definida como um amplo movimento de contestação dos dogmas católicos que dividiu o Cristianismo na Europa Ocidental.

Na Idade Média, a Igreja Católica tornou-se a mais poderosa instituição da Europa Ocidental, dominando aspectos importantes da vida social como a educação, arbitrando sobre questões de direito e orientando a economia. Era a detentora de grande parte das riquezas (terras) e, ainda na transição feudalismo-capitalismo, permanecia com grande poder de influência sobre as monarquias recém-formadas e dia a dia das comunidades. As críticas as suas ações e dogmas eram declaradas como heresias e, em 1231 o Tribunal da Santa Inquisição fora criado para repressão das mesmas.

Entretanto, mesmo assim, inúmeras críticas eram dirigidas à Igreja Católica, que em geral faziam referência ao abandono pela mesma dos ideiais da igreja primitiva que vivia da simplicidade, prática da caridade, valorização da humildade e mantinha uma conduta moral irreprovável. Dentre tais movimentos de oposição, pode-se citar o criado por Francisco de Assis. Tendo seus seguidores tornado-se uma preocupação para Igreja, o Papa Inocêncio III criou a Ordem dos Franciscanos, para solucionar de modo político tal comportamento rebelde do frade, garantindo dessa forma o controle sob os adeptos de sua forma de vida.


Dentre as causas da Reforma, pode-se citar:
- A exagerada riqueza da Igreja e de seus membros, sustentada pela corrupção da venda de indulgências, relíquias sagradas e cargos religiosos.
- As críticas à vida mundana de membros do clero.
- Interesses políticos da nobreza nas terras, no poder e no dízimo cobrado pela Igreja.
- Apoio dos burgueses interessados em na defesa do lucro (usura), tida como pecado pela Igreja Católica.
- O espírito crítico trazido pelo Renascimento Cultural, tendo os humanistas Erasmo de Roterdã e Rabelais redigido várias críticas à instituição em suas obras Elogio à Loucura, Gargantua e Pantagruel.

Primeiros movimentos reformistas ou Precursores da Reforma

- Jonh Wycliffe: Introduzia uma "heresia" na Faculdade de Oxford, onde lecionava, afirmando que a graça era oriunda diretamente de Deus sem a necessidade de sacerdotes intermediários, que a Bíblia era a única fonte de verdades cristãs e a recusa da transubstanciação.

- John Russ: Adotou as teorias de Wycliffe e negava a remissão de pecados pela venda de indulgências. Foi condenado e queimado vivo na fogueira.


Reformismo de Lutero

Martinho Lutero era um monge alemão que acreditava que "as boas obras" (doações dos fiéis à Igreja) não eram suficientes para salvar a alma da condenação. Em lugar da salvação por obras, ele propunha a Salvação pela Fé. "Desta forma somos pecadores aos nossos olhos e, apesar disto, estamos justificados perante Deus se tivermos fé" - Martinho Lutero.
Criticava ainda a ganância da Igreja, o comportamento devasso dos clérigos e o afastamento das lições dos textos sagrados.
Foi excomungado e, em 1530 criou a Confissão de Augsburg, base da doutrina luterana que pregava: a salvação unicamente pela fé, a interpretação livre da Bíblia (única verdade incontestável), necessidade de somente dois sacramentos (batismo e eucaristia), supressão do celibato clerical e do culto às imagens, além da submissão da Igreja ao Estado.
Apesar da forte perseguição, o Luteranismo encontrou apoio na nobreza alemã, garantindo sua sobrevivência. Tal aliança foi formada pelos interesses desta não somente nos ideias pregados pela nova doutrina, mas também econômicos ao retirar o Estado da tutela da Igreja e possivelmente colocar o patrimônio católico ao alcance dos nobres.

Reformismo de Calvino

João Calvino deu sequência ao movimento reformista. Foi o responsável por adaptar os pensamentos luteranos ao interesse da burguesia. Para o calvinismo existia a predestinação, cujo símbolo terreno seria o bem estar material. Desta forma, a doutrina calvinista ofereceu aos burgueses uma situação mais confortável para praticar a busca pelo lucro, condenada pela Igreja Católica.

Reformismo Inglês - Rei Henrique VIII

A nobreza e a burguesia inglesas não ofereciam apoio ao clero principalmente devido aos tributos cobrados. Aliados ao descontentamento real pela negativa do pedido de divórcio de sua primeira esposa, Catarina, o rei Henrique VIII fundou o Anglicanismo através do Ato de Supremacia (1534), que determinava o poder do Rei sobre a Igreja e o Estado da Inglaterra.
A Igreja Anglicana manteve parte dos dogmas, rituais e celebrações católicos, porém permitia aos ingleses o confisco dos bens da Igreja.

Anabatistas

Pregavam principalmente o batismo de adultos, considerando o batismo infantil sem fundamento bíblico. Cada um de seus líderes atribuiu novos caráteres a nova doutrina que fora severamente esmagada.

terça-feira, 5 de julho de 2011

RENASCIMENTO CULTURAL E HUMANISMO


O Renascimento Cultural constitui-se como um processo de muitas mudanças pelo qual passaram as artes, o pensamento e o conhecimento científico durante a transição do feudalismo para o capitalismo.
Sua origem encontra-se nos questionamentos de ordem intelectual de vários pensadores  buscavam na retomada da cultura clássica grega e romana a ampliação de seus conhecimentos em vários temas em contraposição à passiva aceitação pela fé, conforme preceituado pela Igreja. A preocupação com os temas ligados à vida humana identificou o movimento como Humanista  e pela busca da razão sobre a fé - Racionalismo.
O Humanismo buscava a valorização da humanidade, porém não representou uma ruptura com a Igreja. Não modificou os dogmas estabelecidos, mas a forma como estes se relacionavam: o mundo deixou de ser um lugar de sofrimento para a criação divina, tornando-se um local onde o homem deveria ser feliz (hedonismo), usufruindo dos benefícios de tudo que lhe rodeia, inclusive do próprio corpo.
Algumas situações foram determinantes para a difusão de tais idéias pela Europa, como por exemplo a invenção da imprensa e a recuperação dos textos clássicos antigos.
O Renascimento, entretanto, não fora um movimento experimentado por toda a sociedade de forma igualitária. Importante ressaltar a sua característica urbana e essencialmente elitista. Suas obras somente estavam ao acesso das elites da época e seus pensadores ou eram muito ricos ou eram patrocinados por alguém de grande poder econômico (burgueses, clero ou nobreza). Grande parcela da população ficou à margem deste movimento.
Dentre as características culturais do Renascimento podemos citar a retomada da cultura clássica produzida pelos gregos e romanos na Idade Antiga, vistas tais obras como portadoras de reflexões e conhecimentos a serem redescobertos. Também característica foi o Antropocentrismo, não opondo o homem a Deus, mas valorizando as pessoas em si, tornando o homem “a medida de todas as coisas”.
O ideal da Universalidade também é próprio deste movimento, uma vez que para os renascentistas, o ideal era a obtenção do conhecimento e aprendizado de tudo o que se conhece. Leonardo da Vinci foi o mais próximo deste ideal de ser humano a ser alcançado, haja vista o seu domínio nas mais diversas áreas de conhecimento, dentre as quais artes, astronomia, mecânica, anatomia...
Condenado pela igreja católica, o Renascimento experimentou um distanciamento benéfico daquela instituição, o que permitindo um aprofundamento do conhecimento científico. A sua principal contribuição foi o desenvolvimento da investigação e experimentação, avançando assim o conhecimento conquistado.
Em resumo: a época clássica que via na razão algo a ser atingido e cultivado, buscava um equilíbrio, entre a inspiração e a forma, com um otimismo em relação ao presente e futuro da humanidade. Algo que explica a saga dos portugueses que adentraram no mar em busca de novas descobertas, cientes de suas missões como parte do desenvolvimento de sua pátria. Não obstante, devê-se lembrar que esta transição foi um período complexo diante do choque que crenças entre o antigo e o novo pensamento. (Gaia Cultural - http://movimentoculturalgaia.wordpress.com/2010/03/30/renascimento-e-o-mundo-se-abriu/)
Principais nomes do Renascimento
Nas artes: Sandro Botticelli (cenas mitológicas e religiosas – Nascimento da Venus e Primavera), Leonardo da Vinci (A Ultima Ceia e Mona Lisa), Michelangelo Buonarroti (incorporou movimento e sentimento as obras – Piètá, Moisés e Davi, pinturas da capela cistina), Rafael (imagens sacras – a Virgem com o Menino e A Escola de Atenas).
Na literatura: Dante Alighieri (pré-renascentista - Divina Comédia), Giovanni Boccaccio (Decameron), François Rabelais (Gargantua e Pantagruel – sátira ao clero e dogmas católicos), Luís de Camões (Os Lusíadas), Miguel de Cervantes (Dom Quixote – impossibilidade de manutenção do pensamento e valores medievais frente ao mundo burguês), William Shakespeare (Romeu e Julieta, Hamlet, Macbeth..).
Nas ciências: Leonardo da Vinci e Copérnico
Pensadores: Erasmo de Roterdã (Países Baixos - Elogio da Loucura – críticas aos poderes), Nicolau Maquiavel (italiano - o Príncipe – diretrizes do Estado Moderno), Thomas Morus (inglês - crítica a sociedade – Utopia).

FORMAÇÃO DOS ESTADOS NACIONAIS - PORTUGAL, ESPANHA, INGLATERRA E FRANÇA



Conforme visto no tópico anterior, as modificações sociais vivenciadas no final da Idade Média culminaram na necessidade de um poder forte e centralizado, diferente daquele presente no sistema predominante anteriormente (Feudalismo). Aliada à ascensão de uma nova classe, a burguesia, as monarquias nacionais começaram a surgir por toda a Europa, destacando-se Portugal, Espanha, Inglaterra e França.
As características principais dos Estados Nacionais Modernos são: Centralização do Poder, Território definido, Idioma Nacional, Exército Nacional, Burocracia (cargos públicos para auxílio do monarca), Sistemas Legais e Monetários Unificados, Manutenção do Clero e da Nobreza (com isenção de impostos e cargos de prestígio porém com poder enfraquecido) e Aliança com a Burguesia.
Portugal
Fora a primeira monarquia a estabelecer-se devido à vitória na Guerra de Reconquista (expulsão dos mouros – muçulmanos – da Península Ibérica) em 1094. Seu primeiro monarca, Afonso Henrique, promoveu fortemente o povoamento do território, sufocando ainda as tentativas de reação da fidalguia.
Após a revolução de Avis, uma segunda dinastia portuguesa estabeleceu-se, apoiada fortemente pela burguesia e aplicando recursos nas atividades marítimas e comerciais, incentivando a pesquisa náutica e possibilitando assim o pioneirismo português nas grandes navegações.
Espanha
Segunda monarquia moderna a ser formada, nasceu séculos após a Portuguesa, também por vitória na Guerra de Reconquista. Tão logo fora criada, a Espanha passou a promover uma corrida colonialista com a vizinha Portugal, sendo a responsável pela descoberta do continente americano em 1492. Diferente de Portugal que buscou novos caminhos pelo Atlântico para a conquista das Índias através do contorno da África, a Espanha dedicou-se a buscar caminhos pelo ciclo oriental das navegações.
Inglaterra
No século XIII, a Inglaterra era governada por uma família normanda. O fato de o poder ter sido tomado por uma guerra fez que com que este seja reconhecido como forte desde o início, amparado pelo poderio militar incontestável, e como o governante era estrangeiro e sem ligações com as classes dominantes locais, a centralização resta evidente.
O rei Guilherme buscou fortalecer ainda mais o seu poder ao aliançar-se aos plebeus livres, porém seus sucessores (2ª Dinastia - Plantageneta) optaram pelo enrijecimento do poder real frente à população. Cria-se o “commom law” ou lei comum a todo território inglês e a fiscalização de seu cumprimento pelos juízes nomeados pelo soberano. Tais governos caracterizaram-se por altos gastos e aumento de impostos, o que culminou na imposição pelos nobres, em 1215, de um conjunto de normas que definiam os direitos do povo sobre o soberano: a Magna Carta.
Após a derrota na Guerra dos Cem Anos, inicia-se uma guerra interna de sucessão entre duas dinastias – York e Lancaster – finalizando com a ascenção dos Tudor (união das duas famílias).
França
A monarquia francesa nasceu sob a imagem salvadora frente ao caos experimentado pela desordem do sistema feudal. Amparada fortemente pela Igreja Católica, possibilitou nos séculos seguintes a crença na Teoria do Direito Divino, utilizada para justificar o Absolutismo francês.
A dinastia responsável pela centralização do poder foi a Capetíngia, cabendo a Felipe Augusto a criação de uma primeira burocracia francesa, a quem cabia a fiscalização e cobrança de tributos.
Apesar de uma crítica ao Feudalismo, a monarquia utilizava-se de princípios daquele sistema quando lhe era favorável, por exemplo na obrigatoriedade de juramento de fidelidade e lealdade nas cerimônias de homenagem ao “suserano do suserano” . A Igreja também foi submetida ao poder francês . Com a vitória na guerra dos cem anos, a França consolida a centralização do poder.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

ASCENÇÃO E QUEDA DO FEUDALISMO



Conforme tratado anteriormente, desde a queda do Império Romano do Ocidente e início das invasões bárbaras, a estrutura social foi sendo modificada até culminar no Feudalismo, resultante da articulação entre valores romanos, germânicos e católicos.
A Igreja Católica fortaleceu-se grandemente, ocupando uma posição social e poderio inéditos até então. O cristianismo primitivo fora substituído, originando uma instituição hierárquica cujo líder máximo, o papa, exercia domínio político e social soberano, tal como o rei. O clero, assim como os nobres, eram isentos de impostos e administravam os bens doados à Igreja, cujo patrimônio cresceu vertiginosamente.
Tal poderio sobre o comportamento e pensamento social exercido pela Igreja Católica na Idade Média pode ser em parte explicado pelo desaparecimento das instituições de Estado presentes no Império Romano. Após a sua decadência, a Igreja aliançou-se às dinastias germânicas conquistadoras e assumiu o papel das instituições públicas, cabendo a esta a educação, julgamento, aplicação de leis, controle de informações e da economia, não cabendo a nenhum outro setor, contestação.
O poder do Rei, no sistema feudal, estava enfraquecido, pois apesar deste ser considerado como o susserano maior, cada feudo possuía um susserano ou senhor que contava com a lealdade de seus vassalos e servos, descentralizando o poder e fortalecendo o poder regional. Os vassalos, em troca de terras, juravam ao seu susserano lealdade política e militar. Neste período não existia uma moeda única para todo o reino, nem um exército nacional, mas somente exércitos locais a serviço dos senhores feudais. Em troca das terras aos nobres, os reis podiam dispor do apoio militar destes, em caso de necessidade.
Aos servos, somente cabia a aceitação do regime de colonato, devendo o mesmo em troca da propriedade que recebia, cultivar também as terras de seu senhor e entregar a este parte de sua produção pessoal, além do pagamento de impostos.
Após séculos de dominação do sistema feudal, por volta do século XIII este passou a apresentar sinais de saturação, principalmente frente as crises que se abateram na Europa neste período. Dentre tais fatores podemos citar o aumento demográfico oriundo do relativo momento de paz vivido pelos reinos frente à invasões de outros povos, necessitando de maior quantidade de terras cultiváveis para abastecimento das populações. Muitos servos oriundos de famílias muito numerosas passaram a cultivar terras comuns, como as florestas e pântanos (arroteamento), porém apesar do aumento de terras cultiváveis e melhoria das técnicas agrícolas, houve uma crise agrícola no final do século XIII, tão severa que sementes deixaram de encontradas.
Aliado à crise agrícola, a Europa foi assolada pela peste negra entre os anos de 1348 e 1349, levando a uma baixa demográfica de cerca de 1/3 da população. Devido às crises, fome e péssimas condições enfrentadas, a sociedade entrou em colapso. Os servos, já castigados pelas dificuldades relativas à sua condição social, frente ao aumento de exigências senhoriais e dos preços, rebelaram-se em várias partes da Europa, exigindo melhores condições de subsistência. Em paralelo, as duras condições de vida do campo, fez com que muitos camponeses fossem atraídos pela atividade comercial como forma de melhorar suas condições. Grandes feiras surgiram, e atividades financeiras antes estagnadas como troca de dinheiros, financiamentos e empréstimos voltaram a fazer parte da rotina das cidades que foram ganhando cada vez maior importância econômica e surgiram movimentos de emancipação das mesmas, pois estas ainda estavam ligadas ao feudo.  
Frente às mudanças sociais experimentadas por toda a Europa, à expansão do comércio, bem como para controlar as revoltas populares que surgiam e a devastação provocada pelas epidemias, os comerciantes, agora fortalecidos, cobravam ações mais enérgicas e centralizados de seus soberanos. Inicia-se então os processos de centralização do poder e início das monarquias nacionais.

terça-feira, 28 de junho de 2011

QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO


Com este termo, faz-se referência apenas ao Império Romano do Ocidente, uma vez que o Império Romano do Oriente, posteriormente conhecido como Império Bizantino, somente teve sua decadência com a Queda de Constantinopla, cerca de 1000 anos após, em 1453.
A “pax romana” estabelecida por Augusto (ou Otaviano) foi um extenso período de paz em Roma, iniciada com o fim das Guerras Púnicas (contra Cartago pelo domínio comercial do Mediterrâneo), de modo que as medidas adotadas pelo Império possibilitaram minimizar os focos de conflitos internos entre as classes sociais (patrícios e plebeus) e conflitos externos com a adoção de exércitos permanentes nas colônias e fronteiras, evitando a incursão de povos bárbaros além de coibir, nestas áreas, práticas abusivas impetradas por cobradores de impostos.
Como modo de apaziguar os ânimos da crescente população desempregada, Augusto instaurou a política do “Pão e Circo”, oferecendo à plebe (ou proletários – pequenos proprietários de terra que as tiveram de entregar como pagamento de impostos ao governo e que não conseguiam empregos nas cidades) alimentação e espetáculos como meio de entreterimento. A alta taxa de desemprego nas cidades romanas deveu-se ao excessivo número de escravos, oriundos dos povos conquistados no período de expansão do Império Romano e que foram utilizados como mão de obra predominante.
Entretanto, apesar das ações adotadas neste período somente o patriciado mostrou-se favorável ao sistema empregado. Guerras Servis organizadas por escravos (sendo a liderada por Espártaco a mais conhecida e a de maior duração) e o descontentamento da plebe pela super exploração sob a forma de altíssimos impostos para manutenção do império, associados à demais fatores sociais e econômicos oriundos do fim da expansão (redução das riquezas oriundas de saques e pilhagens, da anexação de territórios, do afluente de escravos) aliados a crescente corrupção dos governantes, levaram a uma crise de valores e econômica, enfraquecendo o império e favorecendo as invasões germânicas.
Enfraquecido, o Império Romano dividiu-se em dois: do Ocidente e do Oriente, porém em 476 o Império do Ocidente encontrou seu fim sob o domínio germânico. Diante da crise econômica, os trabalhadores desempregados e amedrontados, seguiram os nobres romanos que deixaram as cidades e passaram a fixar-se no campo, a fim de produzir eles mesmos os bens necessários a sua sobrevivência. Em troca do trabalho, os servos recebiam dos seus senhores proteção contra os povos bárbaros e uma terra para cultivar em benefício próprio.
Criadas estavam as bases do Feudalismo, que vigoraria por muitos séculos na Europa, e que baseou-se na auto-suficiência dos pequenos territórios economicamente independentes (feudos). Enfraquecido, o Império Romano dividiu-se em dois: do Ocidente e do Oriente, e no ano de 476 o Império do Ocidente encontrou seu fim sob o domínio germânico.

SOBRE O CRISTIANISMO:
Alega-se que uma das causas da queda do Império Romano teria sido o avanço do Cristianismo. Muito mais do que uma questão religiosa, este fato teve maior repercussão política, uma vez que o cristianismo primitivo pregava ideais que se contrapunham ao regime imperial. A nova religião pregava o pacifismo, enquanto que o império era sustentado pela guerra. Acreditando na igualdade entre os homens, os primeiros cristãos mostraram-se contrários à escravidão e dominação romana.
Porém, o mais grave dos confrontos estabeleceu-se em relação ao alvo de adoração. Enquanto os cristãos primitivos defendiam a adoração a um único Deus, diferentemente da religião politeísta cultural de Roma, estes ainda entravam em choque político com os valores do império que sustentavam a idéia de um imperador supremo.
Logo, pode-se dizer que a perseguição aos cristãos em Roma teve um caráter muito mais político do que religioso, propriamente dito.