quarta-feira, 17 de agosto de 2011

SISTEMA COLONIAL: AMÉRICA ESPANHOLA E INGLESA



AMÉRICA ESPANHOLA

O continente americano foi sistematicamente colonizado pelos europeus a partir do final do século XV. Holandeses e Franceses também exerceram aqui o seu poder colonizador, mas foram portugueses, espanhóis e ingleses que montaram os mais significativos empreendimentos coloniais, tornando a América uma extensão de seus domínios e um complemento da economia metropolitana.

Em 1503 a Coroa espanhola criou o primeiro órgão de administração colonial, a Casa de Contratação, responsável por todas as atividades comerciais da colônia através da política de único porto: toda mercadoria americana deveria desembarcar, obrigatoriamente no porto de Cadiz.

No âmbito regional, o poder era exercido pelos Cabildos, órgão semelhante às Câmaras Municipais criadas pelos portugueses no Brasil, responsáveis pela justiça local e recolhimento de impostos. Na sede dos Vice-Reinos, encontrava-se a Audiência, tribunal colonial controlado pelos vice-reis e administrado pelos juízes nomeados pelo Rei.

Do ponto de vista político, a colônia espanhola estava dividida em 4 vice-reinos (Nova Espanha – principal centro colonial com grande aporte de metais, Nova Granada – região de apresamento de indígenas para trabalho das minas, Vice Reino do Peru, grande extração de prata, Potosí e Vice Reino do Rio da Prata – Extração de erva mate e agropecuária) e quatro capitanias gerais (Guatemala, Venezuela, Cuba e Chile).

O Pacto colonial, determinado pelo Exclusivo comercial foi a base que permitiu o funcionamento do sistema de exploração implantado nas colônias. Na América espanhola a base econômica foi a mineradora, motivo este pelo qual a coroa espanhola lançou-se avidamente à exploração do interior das suas colônias na busca de mais minas e regiões mineradoras. As reservas pareciam intermináveis, o que gerou uma desvalorização dos metais e um aumento considerável nos preços das mercadorias causando o fenômeno conhecido como Revolução dos Preços.

A partir da década de 1550 a Espanha assumiu a colonização efetiva, sistematizando a exploração através de duas instituições de exploração de mão-de-obra nativa: a mita (trabalho compulsório nas minas) e a encomienda (exploração das comunidades indígenas através da prestação de serviços nas grandes fazendas e tributação em gêneros).

Além do trabalho compulsório indígena, nas ilhas do Caribe, sobretudo em Cuba, no desenvolvimento da plantation açucareira, nota-se a existência de trabalho escravo de negros africanos, importados para suprir a falta de mão-de-obra disponível após o extermínio dos nativos.

A sociedade seguiu o modelo fechado, aristocrático e feudal da sua metrópole. No ápice da sociedade estavam os chapetones (espanhóis), responsáveis pela administração pública. Seguidos a estes estavam os criollos (filhos de espanhóis nascidos na América), formando a aristocracia rural e contando com forte poder econômico. As classes dominadas eram compostas pelos indígenas, escravos e mestiços, tendo a cor da pele como critério de divisão social.

A religião oficial era a católica, imposta aos nativos pelo clero a quem cabia a catequese e a educação escolar, além das atividades da Santa Inquisição, controlando os colonos.

AMÉRICA INGLESA

A partir do século XVII, a Costa Leste da América do Norte passou a ser povoada pelos ingleses puritanos e adeptos de outras religiões que fugiam da perseguição em regiões de conflito na Europa, iniciando assim o processo migratório para a América. O primeiro navio a aportar aqui, MayFlower chegou a costa em 1620 com o primeiro grupo de puritanos. Além dos colonos que vinham instalar-se em definitivo no novo mundo criando aqui colônias de povoamento, vieram também outros ingleses com o intuito de instalar empresas de exploração das riquezas coloniais.

A Inglaterra começou ainda a ocupação das Antilhas, ocupando Jamaica, Barbados, Bahamas e Bermudas, onde montou um sistema de administração centralizado, com a produção de artigos tropicais destinados ao mercado europeu.

Ao longo da Costa Leste americana, desenvolveram-se treze colônias das quais nove (centro e norte) destinaram-se ao povoamento e quatro (sul) à exploração. Tal divisão deveu-se basicamente a diversidade climática observada nestas regiões, onde somente coube ao Sul o clima necessário para o cultivo de culturas de exploração.

 Inicialmente, a colonização inglesa foi organizada por companhias de comércio ou por associações de comerciantes, na tentativa de obter lucros com o tráfico de escravos ou com a exploração das terras americanas. Na segunda metade do século XVII, o Estado passou a interferir na colonização promulgando inúmeras leis e medidas administrativas que tinham como objetivo transferir o controle das mãos das associações para a Coroa.

Uma aspiração presente em todos os colonos era a autonomia política, direito este que havia sido concedido aos colonos ingleses pelas companhias de comércio, podendo os mesmos reunir-se em assembléias e votar leis locais. Até meados do século XVII, predominou na colônia inglesa o self-government, ou seja eram os colonos que tomavam as decisões que valeriam em sua comunidade, inclusive leis.

Como os colonos que vieram a fim de estabelecer colônias de povoamento não tinham intenção em regressar para a metrópole, implantaram na América os meios para que pudessem estabelecer-se. Os que ocuparam a Nova Inglaterra (centro e norte), se organizavam conforme seus preceitos religiosos e não utilizavam mão-de-obra escrava e vigorou a agricultura de subsistência,com base no trabalho familiar.

Porém nas colônias do Sul desenvolveu-se colônias de exploração, fundamentadas nas teorias mercantilistas (produção em larga escala para mercado europeu) e no pacto colonial. Nesta região criou-se uma sociedade polarizada (elite branca e massa de trabalhadores escravos), baseada no cultivo principalmente do algodão e tabaco, sob uma forte fiscalização metropolitana.

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